Categoria: Gerações

  • A Tese do Vazio: o crescimento do mercado imobiliário do interior

    A Tese do Vazio: o crescimento do mercado imobiliário do interior

    Prezados profissionais e entusiastas do mercado imobiliário,

    É com grande satisfação que compartilho uma tese que venho desenvolvendo e que, embasada em dados concretos e na própria história da humanidade, aponta para o sucesso crescente dos empreendimentos imobiliários localizados no interior.

    Não se trata de um discurso motivacional vazio, mas de uma análise profunda sobre o que impulsiona a demanda atual e futura.

    A busca pelo lugar mais bonito e mais vazio possível

    Minha tese central, que chamo de Tese do Vazio, remonta à nossa ancestralidade.

    Se observarmos a jornada do Homo sapiens desde o nordeste da África, há 250 mil anos, passando pela Europa e pela Ásia, até chegarmos à América do Sul há meros 14 mil anos, um padrão se revela: a busca incessante por um lugar “mais bonito e mais vazio” para se estabelecer.

    A América do Sul, o último grande refúgio, representa o pedaço de terra mais recente a ser ocupado.

    Essa busca por espaços menos densos e mais conectados à natureza é um impulso intrínseco à nossa espécie. E ela está ressurgindo com força total em nosso tempo.

    O crescimento do mercado imobiliário do interior

    Essa busca ancestral se manifesta claramente nos dados demográficos atuais do IBGE.

    Enquanto a taxa geométrica anual de crescimento populacional do Brasil está em seu ponto mais baixo histórico, com uma média nacional de 0,52% ao ano, a distribuição é drasticamente desigual.

    Grandes capitais como São Paulo, com 0,14%; Rio de Janeiro, com -0,03%; Porto Alegre, com -0,47%; e Salvador, com -0,84%, estão estagnando ou até encolhendo.

    Em contrapartida, cidades do interior, como Piracicaba, com 1,5%, e Ribeirão Preto, com 1,2%, apresentam taxas de crescimento muito superiores, dez a doze vezes maiores que a capital paulista.

    Esse movimento não é um êxodo forçado, mas uma migração consciente. Uma escolha por qualidade de vida.

    As pessoas estão, de fato, saindo das grandes metrópoles em busca do lugar mais bonito e mais vazio possível.

    A crise silenciosa da vida digital

    A imersão na vida digital, intensificada a partir de 2007 com o lançamento do iPhone, trouxe consigo uma crise silenciosa.

    Dados da Fiocruz sobre o aumento do suicídio infantil e da automutilação entre jovens são alarmantes.

    Pais e avós, na faixa dos 45 aos 65 anos, estão percebendo o custo dessa desconexão e buscam urgentemente resgatar o contato com a natureza para seus filhos e netos.

    O simples ato de observar formigas carregando folhas, que fazíamos nas décadas passadas, tornou-se um luxo.

    Um terreno no campo, em um empreendimento de qualidade, transcendeu o investimento financeiro. É uma “janela para a felicidade”, uma busca por saúde, bem-estar e experiências autênticas.

    O mercado imobiliário hoje é 101% movido por desejo e emoção. E é nisso que devemos focar.

    A tecnologia nos libertou da necessidade de permanecer em um único lugar

    A economia digital e a inteligência artificial nos libertaram da necessidade de permanecer em um único lugar.

    Profissionais podem atuar de qualquer lugar com as ferramentas certas, priorizando locais que ofereçam qualidade de vida e contato com a natureza.

    Essa flexibilidade impulsionou a demanda por refúgios no campo.

    Antes da pandemia, 8% da população brasileira com renda média a alta buscava isso. Hoje, esse número saltou para 17%, quase o dobro.

    O melhor vizinho do mundo deixou de ser o sobrenome famoso e passou a ser a natureza, as abelhas e a possibilidade de ver as constelações.

    Psicólogos e psiquiatras estão prescrevendo o contato com a natureza como terapia.

    Empreendimentos que oferecem essa reconexão são a resposta a uma demanda crescente.

    Uma nova fronteira para a habitação

    Como estatístico e observador atento do mercado imobiliário brasileiro, dedico minha carreira a analisar dados que revelam para onde a humanidade deseja ir.

    Ao longo da história, nossa espécie, o Homo sapiens, sempre se moveu com um propósito claro: encontrar o lugar mais bonito e menos denso possível para estabelecer suas raízes.

    Essa busca ancestral, que nos trouxe da África até a América do Sul, não cessou. Ela apenas mudou de forma.

    Hoje, vivemos um fenômeno científico, não um êxodo.

    Enquanto grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, enfrentam taxas de crescimento populacional próximas de zero ou negativas, o interior do Brasil floresce.

    Cidades como Ribeirão Preto crescem em ritmo acelerado, absorvendo famílias que buscam qualidade de vida.

    Não estamos falando de uma fuga desesperada, mas de uma escolha consciente por um estilo de vida que a selva de pedra já não consegue oferecer.

    A natureza como o ativo mais valioso do século XXI

    Se posso desenvolver meus negócios de qualquer lugar do mundo, por que permaneceria em um ambiente estressante e congestionado?

    A resposta é simples: não preciso.

    E é aqui que empreendimentos imobiliários no interior, integrados à natureza, tornam-se o ativo mais valioso do século XXI.

    A tecnologia, embora essencial, trouxe um custo alto para a saúde mental, especialmente para nossas crianças.

    O aumento nos índices de automutilação e a perda de conexão com o mundo real — o simples ato de observar formigas ou contemplar as estrelas — geraram uma urgência nos pais.

    Eles não estão comprando apenas um lote.

    Estão adquirindo uma janela para a felicidade. Um refúgio onde a natureza é a vizinha mais próxima.

    O mercado imobiliário atual é 101% movido por desejo e emoção.

    Quando apresentamos um projeto que atende a essa necessidade de resgate, o preço por metro quadrado torna-se secundário diante do valor existencial entregue.

    Conclusão: o interior é o futuro

    A Tese do Vazio nos ajuda a compreender uma transformação profunda no mercado imobiliário.

    As pessoas não buscam apenas metragem, localização ou retorno financeiro.

    Elas buscam qualidade de vida.

    Buscam saúde.

    Buscam silêncio.

    Buscam contato com a natureza.

    Buscam a possibilidade de oferecer aos filhos e aos netos experiências reais em um mundo cada vez mais digital.

    O crescimento do mercado imobiliário do interior não é apenas uma tendência comercial.

    É a manifestação contemporânea de um impulso antigo da humanidade: encontrar o lugar mais bonito e mais vazio possível para estabelecer suas raízes.

  • Apagão na demanda imobiliária nos próximos 30 anos?

    Apagão na demanda imobiliária nos próximos 30 anos?

    Apagão na demanda imobiliária nos próximos 30 anos?

    O que custa para a Geração Z deixar a sua incorporadora ou imobiliária de lado por não atender aos critérios deles? Este artigo analisa o risco de um apagão na demanda imobiliária e o impacto das novas gerações na forma de comprar e viver.

    O mito da superoferta de imóveis

    Muitas vezes ouvimos pessoas afirmando que há uma superoferta de imóveis no Brasil, o que poderia provocar uma queda nos preços. No entanto, o que realmente pode causar uma desaceleração nas vendas e uma eventual redução no valor dos imóveis é outro fenômeno — muito mais complexo: o apagão na demanda imobiliária.

    Antes de tudo, quem faz o mercado imobiliário acontecer — ou apenas se interessa pelo tema — precisa evitar a armadilha de acreditar que há prédios demais sendo construídos. Essa percepção não se sustenta nos números.

    O Brasil tem cerca de 72 milhões de famílias. Destas, aproximadamente 42 milhões possuem renda familiar a partir de dois salários mínimos e têm potencial para adquirir imóveis — desde unidades do programa Minha Casa Minha Vida até coberturas de alto padrão. Dentro desse universo, 29,91% demonstram intenção de compra nos próximos 24 meses, somando um contingente de 12,5 milhões de famílias com demanda ativa (Fonte: Datastore, 2º TRI-25).

    Além disso, o país entrega cerca de 400 mil imóveis novos por ano no segmento AB. Isso representa apenas 0,55% do total de famílias. Portanto, não há qualquer chance de uma “superoferta” derrubar os preços — salvo raríssimas exceções.

    Oferta e demanda continuam em equilíbrio

    Em resumo, o Brasil está longe de produzir imóveis em excesso. Como resultado, os preços devem continuar subindo pelos próximos 15 anos. Afinal, a lei da oferta e da demanda, apresentada por Adam Smith em A Riqueza das Nações (1776), permanece válida até hoje.

    Entretanto, há um novo fator que merece atenção: o comportamento da Geração Z. E é justamente aí que reside o risco real de um apagão na demanda imobiliária.

    O novo desafio: entender a Geração Z

    Essa geração — nascida entre 1995 e 2009 — já é adulta, influente e economicamente ativa. Apesar de parte ainda estar terminando a faculdade, boa parte desse grupo já trabalha, investe e decide onde quer morar. No entanto, muitas empresas do setor ainda tratam a Geração Z como um público adolescente.

    Os “Zs” de 1995 a 2001 têm entre 22 e 30 anos. Eles mudaram o corpo, a mentalidade, os relacionamentos e, principalmente, a forma de consumir moradia. Essa transformação é silenciosa, mas profunda, e está redesenhando o mercado imobiliário brasileiro.

    O perigo da desconexão geracional

    O verdadeiro problema está na desconexão. A maioria dos líderes, incorporadores e corretores nasceu antes de 1990 e ainda pensa com a mentalidade do século XX. Muitos resistem em se atualizar e, por isso, correm o risco de ver seus empreendimentos com cada vez menos procura.

    Mais do que bons projetos, o mercado precisa de alinhamento geracional: novas linguagens, estética moderna, comunicação digital e experiências personalizadas. Hoje estamos mais próximos de 2050 do que de 2000. Quem insistir em modelos antigos de venda corre o risco de ficar para trás.

    Para se ter uma ideia, a Geração Z já influencia mercados inteiros — da moda à tecnologia, passando por bebidas e moradia. O custo para eles “deixarem sua incorporadora de lado”? Nenhum. Basta um clique.

    Como evitar o apagão na demanda imobiliária

    • 1. Livre-se dos preconceitos. Encare a Geração Z como parceira de evolução, não como desafio.
    • 2. Entenda seus hábitos. Muitos começam alugando ou investindo em studios — a porta de entrada para compras futuras.
    • 3. Foque nos studios. Eles representam cerca de 50% da preferência dos jovens compradores (Fonte: Datastore, 2024).
    • 4. Atualize sua empresa. Tenha cerca de 20% dos colaboradores pertencentes a essa geração. Isso cria conexão real e insights valiosos.
    • 5. Reposicione sua comunicação. Entre 2026 e 2032, será essencial adaptar o design, o tom e a linguagem para dialogar com o público Z.
    • 6. Valorize sucessores jovens. Traga-os para dentro dos processos e aprenda com eles — essa troca é o futuro.
    • 7. Planeje a transição. Acompanhe conteúdos do Futurologista do Morar e implemente mudanças graduais.

    Em suma, o futuro do setor imobiliário dependerá da capacidade de conectar gerações e se adaptar rapidamente. Compreender a Geração Z é o primeiro passo para evitar o apagão na demanda imobiliária nas próximas décadas.

    Quer saber tudo sobre as novas demandas e tendências dos públicos imobiliários? Acompanhe o Futurologista do Morar e a Datastore nas redes sociais.

    Marcus Araujo é bacharel em estatística, escritor best-seller com quase 200 mil livros em circulação, pensador e futurologista do morar. Fundador da Datastore com 1 trilhão de reais em VGV imobiliário pesquisados entre 1994 e 2024. Nos últimos anos esteve em escolas com mais de 25.000 crianças de todo o Brasil conversando sobre moradia através de seus livros infantis.

  • A Nova Terceira Idade.

    A Nova Terceira Idade.

    A Nova Terceira Idade está transformando o modo de morar e de viver. O mercado imobiliário começa a se adaptar às novas demandas de quem chega aos 60 anos nesta década (2021–2030). Antigamente, lá pelos anos 1980, pessoas com mais de 60 anos tinham muitos filhos e netos. Em idade avançada, acumulavam patrimônio e guardavam recursos para deixar aos descendentes. Naquele tempo, moravam sozinhas em casas grandes, o que gerava altos custos de manutenção, já que os filhos saíam cedo de casa.

    O novo perfil dos idosos modernos

    Hoje, quem chega aos 60 tem menos filhos e, muitas vezes, o primeiro “netinho” é um pet. Com isso, a relação com o dinheiro mudou. Há menos familiares pedindo ajuda financeira, e o orçamento sobra para o que realmente importa: viver melhor. Além disso, essa nova geração de avós prioriza liberdade, experiências e bem-estar, em vez de acumular bens para os herdeiros.

    Esses novos idosos estão investindo em longevidade e qualidade de vida. Fazem check-ups, praticam exercícios, cuidam da alimentação e investem em saúde preventiva. Ao mesmo tempo, muitos vendem imóveis antigos e grandes — caros de manter e pouco práticos. Assim, buscam imóveis modernos e funcionais, que traduzam praticidade e autonomia. Segundo análises da Datastore, essa tendência de downsizing cresce entre os idosos brasileiros, redefinindo o modo de morar na maturidade.

    Um novo olhar sobre patrimônio e herança

    Antes, a prioridade era deixar herança para os filhos. Agora, o objetivo é aproveitar os recursos em vida. Essa é a essência de A Nova Terceira Idade: viver intensamente, com conforto e propósito. Muitos preferem usar o dinheiro em viagens, cursos e lazer junto com filhos e netos — humanos ou de quatro patas. Por isso, os lares também se adaptam para serem mais pet-friendly e acolhedores.

    Essa mudança reflete uma visão mais consciente sobre o envelhecer. Os idosos de hoje buscam moradias menores, eficientes e com baixo custo de manutenção. Querem autonomia e praticidade, sem abrir mão do conforto. Em muitos casos, optam por imóveis inteligentes, sustentáveis e bem localizados — alinhados às novas demandas de sustentabilidade e mobilidade urbana.

    O morar repensado para o futuro

    O morar precisa se adaptar rapidamente. Muitos idosos já estão investindo em imóveis preparados para o futuro, com infraestrutura moderna e possibilidade de serviços assistidos. Por exemplo, quando a mobilidade reduzir, eles poderão contar com atendimento médico próximo ou serviços de suporte integrados. Assim, planejam o envelhecimento com autonomia e dignidade.

    De certo modo, esse grupo inaugura uma nova fase da longevidade. Não querem depender dos filhos, mas também não desejam viver isolados. Portanto, buscam empreendimentos com áreas de convivência, lazer e convivência intergeracional. Esse movimento conecta-se a tendências como os imóveis compactos e multifuncionais, que unem praticidade e pertencimento.

    Em resumo, A Nova Terceira Idade redefine o conceito de envelhecer. O novo idoso é ativo, conectado e independente. Ele quer viver em espaços que inspirem liberdade, bem-estar e sociabilidade. Assim, a forma de morar muda — e o mercado imobiliário precisa acompanhar esse novo tempo.

    Quer saber tudo sobre as novas demandas e tendências dos públicos imobiliários? Acompanhe o Futurologista do Morar nas redes sociais!