Apagão na demanda imobiliária nos próximos 30 anos?
O que custa para a Geração Z deixar a sua incorporadora ou imobiliária de lado por não atender aos critérios deles? Este artigo analisa o risco de um apagão na demanda imobiliária e o impacto das novas gerações na forma de comprar e viver.
O mito da superoferta de imóveis
Muitas vezes ouvimos pessoas afirmando que há uma superoferta de imóveis no Brasil, o que poderia provocar uma queda nos preços. No entanto, o que realmente pode causar uma desaceleração nas vendas e uma eventual redução no valor dos imóveis é outro fenômeno — muito mais complexo: o apagão na demanda imobiliária.
Antes de tudo, quem faz o mercado imobiliário acontecer — ou apenas se interessa pelo tema — precisa evitar a armadilha de acreditar que há prédios demais sendo construídos. Essa percepção não se sustenta nos números.
O Brasil tem cerca de 72 milhões de famílias. Destas, aproximadamente 42 milhões possuem renda familiar a partir de dois salários mínimos e têm potencial para adquirir imóveis — desde unidades do programa Minha Casa Minha Vida até coberturas de alto padrão. Dentro desse universo, 29,91% demonstram intenção de compra nos próximos 24 meses, somando um contingente de 12,5 milhões de famílias com demanda ativa (Fonte: Datastore, 2º TRI-25).
Além disso, o país entrega cerca de 400 mil imóveis novos por ano no segmento AB. Isso representa apenas 0,55% do total de famílias. Portanto, não há qualquer chance de uma “superoferta” derrubar os preços — salvo raríssimas exceções.
Oferta e demanda continuam em equilíbrio
Em resumo, o Brasil está longe de produzir imóveis em excesso. Como resultado, os preços devem continuar subindo pelos próximos 15 anos. Afinal, a lei da oferta e da demanda, apresentada por Adam Smith em A Riqueza das Nações (1776), permanece válida até hoje.
Entretanto, há um novo fator que merece atenção: o comportamento da Geração Z. E é justamente aí que reside o risco real de um apagão na demanda imobiliária.
O novo desafio: entender a Geração Z
Essa geração — nascida entre 1995 e 2009 — já é adulta, influente e economicamente ativa. Apesar de parte ainda estar terminando a faculdade, boa parte desse grupo já trabalha, investe e decide onde quer morar. No entanto, muitas empresas do setor ainda tratam a Geração Z como um público adolescente.
Os “Zs” de 1995 a 2001 têm entre 22 e 30 anos. Eles mudaram o corpo, a mentalidade, os relacionamentos e, principalmente, a forma de consumir moradia. Essa transformação é silenciosa, mas profunda, e está redesenhando o mercado imobiliário brasileiro.
O perigo da desconexão geracional
O verdadeiro problema está na desconexão. A maioria dos líderes, incorporadores e corretores nasceu antes de 1990 e ainda pensa com a mentalidade do século XX. Muitos resistem em se atualizar e, por isso, correm o risco de ver seus empreendimentos com cada vez menos procura.
Mais do que bons projetos, o mercado precisa de alinhamento geracional: novas linguagens, estética moderna, comunicação digital e experiências personalizadas. Hoje estamos mais próximos de 2050 do que de 2000. Quem insistir em modelos antigos de venda corre o risco de ficar para trás.
Para se ter uma ideia, a Geração Z já influencia mercados inteiros — da moda à tecnologia, passando por bebidas e moradia. O custo para eles “deixarem sua incorporadora de lado”? Nenhum. Basta um clique.
Como evitar o apagão na demanda imobiliária
- 1. Livre-se dos preconceitos. Encare a Geração Z como parceira de evolução, não como desafio.
- 2. Entenda seus hábitos. Muitos começam alugando ou investindo em studios — a porta de entrada para compras futuras.
- 3. Foque nos studios. Eles representam cerca de 50% da preferência dos jovens compradores (Fonte: Datastore, 2024).
- 4. Atualize sua empresa. Tenha cerca de 20% dos colaboradores pertencentes a essa geração. Isso cria conexão real e insights valiosos.
- 5. Reposicione sua comunicação. Entre 2026 e 2032, será essencial adaptar o design, o tom e a linguagem para dialogar com o público Z.
- 6. Valorize sucessores jovens. Traga-os para dentro dos processos e aprenda com eles — essa troca é o futuro.
- 7. Planeje a transição. Acompanhe conteúdos do Futurologista do Morar e implemente mudanças graduais.
Em suma, o futuro do setor imobiliário dependerá da capacidade de conectar gerações e se adaptar rapidamente. Compreender a Geração Z é o primeiro passo para evitar o apagão na demanda imobiliária nas próximas décadas.
Quer saber tudo sobre as novas demandas e tendências dos públicos imobiliários? Acompanhe o Futurologista do Morar e a Datastore nas redes sociais.
Marcus Araujo é bacharel em estatística, escritor best-seller com quase 200 mil livros em circulação, pensador e futurologista do morar. Fundador da Datastore com 1 trilhão de reais em VGV imobiliário pesquisados entre 1994 e 2024. Nos últimos anos esteve em escolas com mais de 25.000 crianças de todo o Brasil conversando sobre moradia através de seus livros infantis.
